|
Os deputados Gustavo Fruet (PSDB-PR) e Vanderlei Macris (PSDB-SP) apresentam hoje no plenário da Câmara requerimento ao ministro da Justiça, Tarso Genro, pedindo informação sobre todas as operações realizadas pela Polícia Federal de 2006 a 2009, seus custos, resultados, desdobramentos e o estágio em que se encontram os inquéritos. Para os parlamentares, os dados são importantes para contextualizar a análise sobre a Operação Satiagraha, de proporções inéditas, que autorizam questionar se houve objetivos mais amplos do que simplesmente investigar o banqueiro Daniel Dantas.
Os deputados partem de um levantamento segundo o qual a PF realizou o seguinte número de operações nos últimos anos:
2006 – 167 operações, com 2.673 presos 2007 – 188 operações, com 2.876 presos 2008 – 235 operações, com 2.473 presos 2009 – 32 operações (até março), com 432 presos
Fruet e Macris pedem informações sobre a situação dos inquéritos decorrentes dessas operações e prisões, os resultados atingidos e a participação de agentes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e do Sistema Brasileiro de Inteligência (Sisbin). Em especial, são requisitados esclarecimentos sobre os inquéritos envolvendo ex-subchefe da Casa Civil para Assuntos Parlamentares, Waldomiro Diniz, o chamado Dossiê Vedoin (que ficou conhecido como o caso dos aloprados), os casos mensalão e sanguessugas e a operação sobre fraudes em obras públicas, na qual a PF, apesar de dispor de ordem judicial, alegou não ter condições de monitorar o secretário de Relações Institucionais do PT, Romênio Pereira, suspeito de participação no esquema.
“Defendemos a investigação completa de todos os casos, sem acusar ou beneficiar alguém. Mas é preciso entender a extensão da Operação Satiagraha, de quem é a responsabilidade pela orientação dos procedimentos adotados e se havia outros alvos além de Daniel Dantas, considerando que o Estado brasileiro estava de posse de arquivos ou relatórios relativos, entre outros, à ministra Dilma Roussef, a tucanos, a José Direceu, Fernando César Mesquita, Brasil Telecom e Luiz Eduardo Greenhalgh”, diz Gustavo Fruet.
Primeiro escalão
Nesta terça-feira, durante o depoimento do servidor da Abin Márcio Seltz, o deputado Gustavo Fruet advertiu que a CPI está muito focada em coletar depoimentos do segundo e terceiro escalões. "Não são pessoas ingênuas, mas cumpriram ordens. Ordens de quem? Precisamos ouvir o primeiro escalão. Queremos averiguar, por exemplo, qual a responsabilidade dos diretores da PF e da Abin e do ministro da Justiça nos dois períodos dessa operação e saber qual foi sua real extensão", defendeu.
Seltz – apontado como um dos primeiros agentes da Abin a colaborar com a Operação Satiagraha – foi reconvocado por causa das contradições entre seu depoimento e o do então diretor-geral da Abin, delegado Paulo Lacerda, que também foi diretor da Polícia Federal. O delegado afirmou, em carta enviada à CPI, que foi procurado por Seltz para dar conselhos acerca do relatório sobre a análise das reportagens jornalísticas.
O agente negou a afirmação do ex-diretor. Disse que foi chamado ao gabinete de Paulo Lacerda, que teria pedido informações sobre o trabalho e questionado sua importância para a investigação. O agente contou que transferiu para o computador de Lacerda o rascunho de seu relatório e também alguns áudios que teriam sido citados nele. Para os integrantes da CPI, o depoimento de Seltz deixou claro que a cúpula da Abin mentiu à CPI e que Lacerda tinha total ciência da operação.
Em sessão reservada, a CPI também ouviu o agente Lúcio Fábio Godoy de Sá, que disse ter sido informado pelo delegado Protógenes Queiroz de que teria partido do presidente Lula a orientação para a realização da Satiagraha. O presidente estaria preocupado, segundo o agente, com investigações em torno do seu filho Fábio Luiz da Silva, conhecido como Lulinha.
Este será um dos temas a serem esclarecidos com Protógens, que presta novo depoimento à CPI na próxima quarta-feira (01/04).. "O Protógenes vai ter que dizer se foi ele que disse isso sobre o presidente Lula. Por que essa operação da Polícia Federal teve esse tamanho?", questionou o deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR).
Os deputados também cobrarão de Protógenes esclarecimentos sobre a informação, passada por Godoy, de que a PF dispõe de outro sistema de armazenamento e análise de áudios, além do Guardião.
|